#Resenha | Mangá Hansel e Gretel, de Douglas MCT e Rafi de Sousa

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Se você realmente curte quadrinho nacional, já deve ter ouvido falar de Hansel e Gretel, o mangá idealizado pelo escritor Douglas MCT. Oficialmente anunciado pela NewPop em 2011, sucessivos adiamentos do projeto tornaram o mesmo uma famosa “lenda urbana” dos quadrinhos nacionais.

Depois de finalmente firmar o artista definitivo para obra, no caso, a desenhista Rafi de Sousa, a editora finalmente entregou o mangá nacional nas mãos dos fãs ansiosos e quebrou um ciclo de incertezas e zombarias que se arrastou por anos.  O resultado é o encadernado caprichado Hansel e Gretel – Sombra e vapor Vol.1, que chegou finalmente aqui na redação, e é sobre ele que daremos nosso humilde “pitaco” hoje. Vamos lá?

Hansel e Gretel é uma colcha de retalhos! (Nossa. Assim, na lata?).

Calma, pois falo isso no melhor sentido da palavra. Expressando-me melhor, eu poderia compará-lo a um vitral, onde a união de diferentes elementos resulta naquela síntese multicolorida bonita de se ver.

E é o que acontece nesse mangá.

Mas, calma, vamos por partes.

O Enredo:
Esse mangá fala sobre João e Maria (Hansel e Gratel no original), gêmeos albinos chegando numa misteriosa metrópole em busca do paradeiro de seu desaparecido pai. Enquanto buscam por pistas de seu pai, vão descobrindo fragmentos de um passado misterioso, e sendo levados ao centro de uma trama perigosa que pode custar suas vidas.

O Roteiro: 
A Trama gira em torno de um mistério que a faz andar. Trata-se da busca dos irmãos pelo pai desaparecido, e consequentemente os motivos do seu abandono. Parece bem simples. Mas não é. A busca pelo pai serve bem como pontapé inicial. Mas, é a maneira como somos jogados junto com os protagonistas para mistérios cada vez maiores que me pegou de jeito.

O Autor, Douglas MCT, usa bem de sua vasta gama de personagens, com suas relações e reações para ir tecendo aos poucos o quebra cabeça que a historia se revela ao fim desse primeiro capitulo. Nada é explicito (só a pancadaria mesmo). Até os personagens mais próximos são jogados no tabuleiro de forma ambígua, onde não sabemos identificar direito suas reais intenções para com os protagonistas. Até os irmãos protagonistas possuem camadas psicológicas bem intrigantes. E eu simplesmente adoro isso.

E falando em personagens, eis ai mais um dos pontos que me agradou. Douglas os imagina e descreve em releituras que não funcionariam tão bem em nenhum outro período que não o nosso. Cheios e carisma e identidade própria, acabam caindo em clichês em alguns momentos, mas surpreendem em outros, como por exemplo quando nos deparamos com um Robin Hood Motoqueiro ou um Flautista encantador de Zumbis.

Obedecendo bem ao esquema de três atos, vemos começo meio e fim bem definidos enquanto os irmãos protagonistas seguem descendo o cacete em belas cenas em ação e buscas por respostas; busca essa que acaba gerando novas lacunas, uma bela artimanha para fisgar o leitor para o próximo volume. Isso sem falar na enxurrada de referencias, que vou deixar vocês descobrirem por conta.

Como ponto negativo eu cito apenas o elemento usado como pano de Fundo: a temática Steampunk. Apesar de muito da estética tentar emular isso com elementos como algumas rodas dentadas aqui e uns zéppelins alí, continuei achando fraco e capenga em relação ao resto da obra. Também poderia citar o gancho no fim do volume, na minha opinião, meio solto, mas estaria só sendo bem chato.

Sobre arte: 

Parece Hiromu Arakawa(De novo, assim na lata?).

Só eu, noob como sou para fazer uma comparação seca assim do nada. Mas, sim, o traço da Rafi de Sousa dispensa comparações, pois a qualidade de seu trabalho surpreende qualquer um. Um traço seguro e nenhum pouco inconstante que mantém a qualidade da proposta do início ao fim. Sua narrativa também é muito satisfatória, amena nos momentos de tensão e exasperada nas sequencias de ação. Realmente, fazia tempo que a qualidade do traço de um artista nacional me deixava tão satisfeito, principalmente no mangá.


Finalizando.

Hansel e Gratel não é mais um mangá porradeiro genérico, com personagens espalhafatosos feitos pensando no cosplay. Trata-se de uma trama arrojada, que prefere usar o mistério como força motriz, deixando a ação de porradaria como mero adorno.  Acho que quanto a isso, devemos agradecer ao tempo em que o projeto ficou parado. Foram anos para esmerar a aparar arestas que fizeram muito bem ao roteiro do Douglas.

Contar é uma arte muito difícil, mas recontar revela-se uma arte ainda mais "tretosa". Pegar algo já criado, dar-lhe sua voz junto com nova forma e torna-lo mais uma vez interessante. Assim como os Grimm fizeram com os contos de fadas em sua época, seguidos por Disney e mais recentemente Raphael Draccon na literatura nacional, Com Hansel e Gretel – Sombra e  vapor Douglas MCT mostra porque merece estar nessa celebre lista de recontadores, ou melhor dizendo “Reencandadores de leitores”

Dados da obra:
Título: Hansel & Gretel
Autor: Douglas MCT (roteiro) e Rafi de Souza (arte)
ISBN: 978-85-8362-116-4
Formato: 128 mm x 182 mm
Páginas: 176 páginas
Acabamento: Papel Offset – Capa Cartonada
Valor: R$ 16,00
Volumes: 2

Gostou? Não esquece daquela curtida/cometário que já nos ajuda muito.
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