Impulsividade e as ciladas que você mesmo cria para sua carreira de escritor.

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Ciladas que você cria para sua carreira

Maria (nome trocado) havia acabado de terminar seu livro. Normalmente, ficou louca para publicar o mais rápido possível. Na internet buscou formas de levar seu trabalho aos leitores, mas todas que achou eram demoradas de mais.

Maria precisava publicar seu livro o mais rápido possível. Ficou sabendo de “editoras” que cobravam para publicar e que não teria que esperar meses até ter uma resposta. Era perfeito! Quantia paga com sucesso, Maria recebeu seus livros em mãos.

Pena que o sonho durou menos que o cheiro de papel novo. Os livros estavam com uma diagramação e revisão porcas e claro, os primeiros leitores malharam o pau no livro da Maria. Ela tentou entrar em contato com a dita “editora”, mas viu que seria quase impossível obter uma resposta.

Essa história termina com a jovem Maria, com algumas pilhas de livros que não poderia vender, prejuízo e um sonho despedaçado.

Como diria meu velho pai “a vida não alisa ninguém”.

Essas sábias palavras me acompanharam por toda minha vida e estão comigo até hoje sempre que acabo sofrendo as consequências de uma decisão ruim.

A vida, sobre tudo a profissional é um jogo intricado, porém, diferente de um fliperama, não existe mais de uma vida e uma única decisão ruim ou ato impensado pode significar um Game over para sua carreia.

E pode ter certeza que por trás de cada ato impensado, decisão ruim ou asneira dita existe uma vilã em comum. A inimiga de uma carreira de sucesso: A impulsividade.

Continue lendo esse artigo para saber:

Você consegue pensar antes de agir?

Agir sem pensar não é bom para a carreira

Essa deve ser a principal pergunta a ser feita antes de começar a fala sobre impulsividade.

Porém, como esse não é um blog médico e o objetivo aqui é outro, olharei não o lado patológico da questão, e sim o profissional, então tentarei ser o mais ligeiro possível.

Segundo a doutora Cacilda Amorim, Psicóloga e diretora do IPDA Instituto Paulista de Déficit de Atenção, a impulsividade é um dos sintomas comuns do TDAHTranstorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade.

Ela é caracterizada por um conjunto de comportamentos multidimensionais que estão relacionados à dificuldade de atrasar a gratificação imediata.

Acredita-se que na maioria dos casos, impulsividade surge de um forte desejo de reação em relação ao momento, que produz um impulso forte para a ação imediata, inibindo o “pensamento preventivo”, então, quando o pensamento finalmente vem, já é tarde e você já tomou aquela decisão, fez aquela crítica ou falou aquela asneira que não devia sem pensar antes.

Tudo isso somado ao padrão atual de sociedade, onde tudo acontece freneticamente e nossos compromissos nos tiram o tempo para parar e admirar coisas simples da vida, torna o afobamento algo comum nas nossas vidas.

Mas, você é um individuo afobado?

Afobamento não é bom para a carreira

Se você é aquele cara que tem pressa para tudo. Faz tudo correndo. Nunca olha para os lados e corre de planejamento como o diabo foge da cruz. Se o que você gosta mesmo da ação com tiro porrada e bomba. Receio que a resposta seja sim.

Mas, isso pode atrapalhar a sua vida?

Sim, sobre tudo a profissional, principalmente quando o impulso toma conta, e te impede de planejar melhor seus passos e atitudes, antes de buscar determinado resultado.

Ou se você comumente adia objetivos maiores por recompensas menores, mas de curto prazo, você pode estar jogando sua carreira em um caminho perigoso, e muitas vezes sem volta.

Tenho certeza que ao fazer alguma entrevista de emprego você já deve ter ouvido algum gerente dizer que a empresa aprecia funcionários que saibam agir rápido e se posicionar antes dos demais diante de um problema. Lindo não é? Mas, experiente agir sem pensar e fazer uma tremenda cagada pra ver se você não vai parar no olho da rua com uma tatuagem de sola no traseiro.

Não confunda atitude com impulsividade. Quem possui atitude geralmente tem tudo planejado antes de aproveitar o momento certo de agir. Já o afobado simplesmente vai na fé e torce para não dar em #@$%.

Mas, calma, jovem desesperado, desmarque a consulta com o psicólogo porque isso é mais comum do que você imagina. Porém, muita calma nessa hora. Não é porque é comum que é bom para você.

Continue lendo para saber como esse comportamento pode ser um veneno para sua carreira de escritor e como evitar ciladas que você mesmo cria.

É uma cilada bino: as armadilhas que você mesmo cria sua carreira.


Revisar para que? Sou autor, não revisor

Tenho certeza que você já abriu um livro no Wattpad e deu aquela brochada violenta já nas primeiras páginas. A capa era linda, a sinopse no facebook convidativa, mas tinha mais erros de português do que sangue em filme do Tarantino. E ai, simplesmente não rolou.

Quando você termina uma historia, aquela lhe parece a coisa mais perfeita, revolucionária e original que existe no planeta. E, lógico que você quer mostrar aquela oitava maravilha para o mundo o mais rápido possível.

É e ai que você se lasca.

É preciso lembrar que a produção de um livro, tanto a historia quanto a parte editorial é feita em cima de um trabalho minucioso e bem elaborado que normalmente não é feito ás pressas. O texto é como uma pedra bruta que deve ser lapidada até chegar no ponto de jóia e isso geralmente leva tempo.

Mas o autor iniciante sabe disso? Não, ou se sabe ignora, porque o que mais vemos no Wattpad e similares são textos que de cara você identifica que foram feitos nas coxas e que sequer passaram por algum processo de revisão básica, o que dirá refinamento.

Mas, pelo menos, eles estão completos. O que dizer então, quando a pressa é tanta que o camarada publica a historia antes mesmo de estar pronta? Meu amigo, é de chorar.

Por o Wattpad permitir a publicação seriada de obras, é um erro comum pensar que todos os escritores que ali publicam escrevem e postam os capítulos logo em seguida. E lógico, isso não é proibido e existem escritores que o fazem e funciona bem para eles.

Mas, e quando a falta de planejamento estrutural faz você esbarrar em algum entrave na historia, aquele beco sem saída que não te deixar ir em frente, o que fazer? Abandonar parece uma boa ideia?

Bom, se você não se importar em ficar cada vez mais mal visto pela comunidade e pelos leitores, pode ir fundo.

A falta da uma revisão tem um efeito fatal sobre qualquer obra. Um erro de português, ou uma incoerência na trama por exemplo, tem um poder absurdo de desviar a atenção de quem está lendo.

Você pode ter terminado o sucessor das Crônicas de Gelo e Fogo, porém isso pouco importará, porque quando o leitor se deparar com os inúmeros erros em sua escrita, vai abstrair completamente a genialidade de sua narrativa e vai focar em corrigir seus erros, principalmente em plataformas como o Wattpad que permite comentários dos leitores( e acredite quando eu digo que você não vai querer dar munição para Haters).

Sem falar que quem posta qualquer coisa “de todo jeito” está assinando um atestando de amadorismo muito difícil de se livrar depois.

E se isso se aplica aos leitores, se aplica em dobro a editores e editoras. Me escute quando falo que essas pessoas tem o saco e o tempo estreito para perder com gente que acha que vai morrer se reler e revisar ao menos uma vez antes de soltar sua historia.

Você pode fazer uma revisão correta de muitas formas:

  • Deixar o texto guardado um bom tempo, para quando ler novamente, não cair em vício de leitura e assim identificar melhor erros e incoerências.

  • Com a ajuda de um leitor Beta, que pode ser um amigo de confiança ou alguém contratado.

  • Contratar os serviços de um revisor freelancer. Essa é de longe a mais indicada das alternativas. Com uma rápida busca pela net é possível encontrar qualidade e preços em conta.


Você pode ler um pouco mais sobre isso nesse artigo em que falo das Listas Negras de editoras e 5 erros que podem te fazer ficar mal visto por elas.

Uma editora me aceitou e mundo vai acabar amanhã!

O Mundo não vai acabar amanhã. Pense bem suas atitudes

Quando você finalmente recebe o primeiro feedback de editora, acredite, por mais absurdo que a proposta seja, você sentirá um desejo louco de aceitar na hora, como se não houvesse amanhã. Não importa se eles estão pedindo sua alma, ou um de seus rins. Você vai querer MUITO aceitar. Acredite, eu sei bem como é.

Munido desse pensamento apocalíptico de que qualquer proposta será a ultima e nunca mais haverá outra que muitos autores tornam-se presas fáceis para ciladas editoriais.

Você está tão ansioso para ver seu nome na capa de uma publicação por editora que antes mesmo de se dar conta, já vai estar aceitando tudo que a editora pedir por achar que tem com ela algum tipo de dívida por ela ter aceitado te publicar.

E é assim que vemos autores iniciantes aceitando contratos absurdos de exclusividade com prazos imensos, ou fazendo pequenos serviços editoriais sem cobrar nada por isso.

A conta é simples: se não está no seu contrato que você tem que revisar trabalhos para a editora ou que você tem que fazer qualquer outro serviço, simplesmente não o faça.

Parece tão simples, mas tanta gente ainda ignora essa maravilha que é LER BEM O CONTRATO ANTES DE ASSINAR. Acredite, o mundo não vai acabar amanhã.

Leia o contrato com calma, e se possível, peça opinião a algum amigo que entenda mais que você do assunto ou pesquise a respeito.

Impulsividade + Vaidade = dor no bolso.

entenda como a vaidade faz o autor cair em ciladas de editoras picaretas

Se impulsividade já é algo ruim para o autor iniciante, imagina quando a vaidade entra na parada?

Todos temos um pouco de relacionamento com esse pecado capital, o problema é que o ramo editorial é perigosamente mais cheio de vaidade, infelizmente, e é ela que permite que muitas “editoras” cobrem absurdos por publicações, e pior ainda, que o autor aceite.

Além da pressa em ter reconhecimento e o retorno dos leitores sobre seu livro, existe essa questão narcisista que te faz exaltar o valor de uma publicação tradicional por editora.

Mesmo quando você senta e faz as contas e percebe que aquele absurdo cobrado pela a editora, é no mínimo o triplo do que você gastaria para fazer uma publicação por sua conta, o fato de “estar sendo publicado”, tirar a foto do contrato e portar no face parece fazer valer a pena.

Você acaba chegando a conclusão que uma publicação onde você paga um valor abusivo a alguma editora picareta tem muitos mais valor do que uma que você possa fazer por conta própria, e sem selo de ninguém. E isso, meu amigo, é pura vaidade e existe um mercado inteiro criado em cima disso.

Não acredita em mim? Pois fique sabendo que os americanos tem até um termo para isso. Chama-se Vanity Press que significa publicação por vaidade.

Ainda na questão de publicação paga tem se tornado comum pequenas editoras lançarem editais para antologias de contos. Na grande maioria dos casos se existe a cobrança de valores ou obrigação de aquisição de exemplares para os autores dos contos selecionados.

Claro, existem propostas bem balanceadas e que estão de acordo com o que propõe ao autor( eu conheço exemplos disso), e que principalmente não exorbitam em valores cobrados, mas não são a maioria.

Há até um exemplo bem recente, o caso famoso de uma editora que abriu vaga para uma antologia dessas, cobrando “meros” 300 reais para os 35 “escolhidos” para publicação. Como “premio” o autor receberia 8 exemplares para revender ao preço que quisesse. Somando tudo, 300x35 = 10,500 reais. Uma quantia interessante, não?

Ai você faz as contas, e percebe que ao aceitar isso, você não só está pagando sua publicação, como está dando quase 100% de lucro para a editora em questão, que independente da antologia vender ou não, sairá com dinheiro no bolso.

E se, mesmo assim, você continuar achando que assinar um contrato de publicação desses vale a pena diante disso tudo, é hora de se pensar um pouco.

Como eu disse, o ramo editorial está cheio de vaidade, e consequentemente, picaretagens, e não estou aqui para dizer o que fazer com seu dinheiro. Apenas aconselho que antes de por a mão no bolso para assinar qualquer contrato, seria bom fazer-se antes os seguintes questionamentos:

  • Meu nome impresso em uma capa vale mesmo eu pagar de mais e receber de menos?

  • Será que, contratando revisor, diagramador, capista e impressão por conta própria não sairia mais barato para produção do livro?

  • Se eu disponho dessa grana para simplesmente colocar meu nome em uma capa genérica, porque não investir essa gaita em aprendizado e aperfeiçoamento? (Existem cursos para escritores que tratam disso na web).

A primeira impressão é a que fica

Saiba como sempre deixar uma boa primeira impressão

Está ai outro ditado do meu velho pai e que está mais vez, certo. É preciso ter em mente algo que parece passar despercebido para muitos autores iniciantes. A diferença entre publicação tradicional, e publicação paga.

A tradicional: vai selecionar seu livro, trabalhar ele, te fazer enxugar texto, modificar algumas coisas, até que aquilo esteja vendável, depois vai lança-lo e trabalhar o marketing.

Já a paga: não se importa em realizar nenhum tipo de curadoria de material. Ela simplesmente averígua se você está disposto a pagar o que eles pedem e publicam.

E, no caso de seu livro estar ruim? Porque, não pode acontecer com você, George Martin?

Se ninguém de fato trabalhou o seu livro, já que ele foi feito com pressa, lançado com impulsividade e pago com vaidade, sabe quem vai saber se o seu trabalho está amador ou mal escrito?

O leitor, e ai, meu jovem, já será tarde, pois o estrago já estará feito e uma péssima primeira impressão já terá sido tatuada na mente do leitor.

Finalizando.

finalizando

É simples como 2+2 são 4.

A pressa está lá para não te deixar passar mais de dois anos na produção e aprimoramento de um livro, ou te permitir esperar pelos mais de seis meses do feed back de uma editora tradicional (que muito provavelmente pode não vir).

A impulsividade está lá, cochichando no seu ombro para que você publique o mais rápido possível, em um wattpad da vida, sem se preocupar com revisão ou aprimoramento.

Já a vaidade chega como um complemento, que te ataca no bolso te dizendo ao ouvido que auto publicação é coisa de fracassado e te fazendo pagar um rim por uma publicação feita nas coxas e que provavelmente não trará de retorno para sua carreira nada mais que meia dúzia de fotos de você com seus livros nas rede sociais, exemplares encalhados e pessoas do ramo torcendo o nariz para um trabalho mal escrito.

Vaidade e impulsividade gostam de trabalhar juntas, a diferença é uma ferra a qualidade e seu trabalho, a outra, o seu bolso, lembre-se disso.

Um carreira deve ser erguida como uma casa, sobre fundações fortes e com material de qualidade. Quando se procura firmar uma carreira sobre impulsividade e vaidade, o resultado será sempre o mesmo, desgaste com o tempo, e inevitavelmente, desmoronamento.

Evite isso. Solidifique sua carreira com o mais poderoso concreto do mundo: O trabalho bem feito. Evite se render a impulsividade e trocar grandes objetivos futuros por satisfações menores e imediatas.

Não permita e a vaidade ataque seu bolso. Seu livro é um produto, acima de tudo, então, sempre pense se um investimento sobre ele é buscando algum retorno, ou apenas uma massagem para seu ego.

BÔNUS: Dicas.


Impulsividade: Uma dica bacana é esquecer o projeto finalizado. Isso mesmo, parece absurdo , eu sei, mas funciona comigo. Tenha outro projeto para poder trabalhar e esquecer o primeiro por um tempo. Assim, quando pegá-lo novamente para dar uma lida, poderá se deparar com certos detalhes que a excitação de quando terminou de escrever não permitia.

Vaidade: substituir o desejo de ter seu nome impresso em uma capa por ser um autor cada vez melhor, estudando e produzindo materiais melhores funciona comigo.

E em ambos os casos, quando perceber que isso se tornou um tipo maior de transtorno e está te impedindo de ser feliz, é sempre bom procurar algum tipo de acompanhamento.

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