#Entrevista com Dêner B. Lopes, Autor de Cidades Mortas.

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Quem acha que ser escritor é sinônimo de vida mansa não sabe o quanto isso está errado. O incauto que um dia diz a si mesmo “Ah, vou ser escritor à partir de hoje, vai ser mó dahora” não sabe o caminho de pedras que esta escolhendo.

Preconceito, ser desacreditado por seus próximos, estudar muito e ter que muitas vezes ir além do simples “escrever” para se firmar nesse ramo são alguns itens inclusos no pacote. Porém, os que escolheram esse caminho pelo genuíno desejo de contar boas historias, sabem bem o deleite de conseguir “chegar lá”.

Batemos um papo bacana com Dêner B. Lopes, autor, editor e como muitos de nós, um intrépido que se enquadra muito bem na divagação que fiz acima. Conversamos sobre auto publicação, editoras de grande porte e seus novos projetos. Espero que gostem.

IndieOuSorte: Olá Dêner, primeiramente é um prazer ter essa conversa contigo, cara. Te conheço faz pouco tempo, mas já posso dizer que sou admirador do seu trabalho. Mas vamos deixar a rasgação de seda que não estamos aqui pra isso, ahaha.

Eu já fiz essa pergunta ao Fábio Mourajh (leia aqui a entrevista), e vou te fazer também porque acho muito pertinente como pontapé inicial. Como e quando você parou e disse “Ah, vou ser escritor”?

Dêner B. Lopes: O Prazer é meu! Bem, foi de uma maneira bem inusitada. Eu estava vendo um filme de vampiros em 2010 e soube que era baseado em um livro. Depois que o li fiquei com uma sensação de ter aquilo para mim: escrever, ter minha história publicada e, sei lá, até virar um filme. Eu era uma criança de verão naquela época.

IndieOuSorte: Ainda nessa coisa de inicio de carreira, conta para a gente, você sofreu algum tipo de preconceito assim que começou a trilhar esse caminho?

Dêner B. Lopes: Preconceito não, mas descrença sim. Apoio, verdadeiro, que tive consigo contar nos dedos de uma só mão.

IndieOuSorte: Quais são suas inspirações no meio literário e qual seu autor preferido.

Dêner B. Lopes: Me inspiro em todo autor que está fazendo sucesso, que conseguiu conquistar o que todos nós sonhamos. Mas minha inspiração maior, claro, sempre foi e sempre será J. K. Rowling.
  
IndieOuSorte: Fale um pouco sobre seu livro Cidades-Mortas e como foi o processo para a concepção desse que é seu livro de maior destaque?

Dêner B. Lopes: É uma distopia que se passa numa ditadura futurista no Rio de Janeiro de 2080, que tem como pano de fundo para os problemas sociais um reality show brutal. No livro consegui abordar da maneira que queria os assuntos do preconceito racial/social e o uso das drogas. Foi lançado em 2014, e me surpreendeu quando se tornou (junto com a continuação, “Cidades-Mortas: Aissur”) best-seller da editora na Bienal deste ano.

O processo de publicação não foi tão difícil, tendo em conta que o livro foi publicado por uma editora europeia. Em 5 meses após a assinatura do contrato Cidades-Mortas já estava em mãos, e vendendo para todo Brasil e Portugal. 

IndieOuSorte: Tanto Cidades-Mortas como Aissur são livros seus que saíram pela Chiado Editora. Fala ai, como é trabalhar com uma editora do Porte da Chiado, principalmente nesse momento em que muitos falam em crescimento do nosso mercado.

Dêner B. Lopes: Eu acompanhei o crescimento da Chiado no Brasil. Quando assinei contrato tratava todos os assuntos com os editores de Lisboa, e só depois os editores brasileiros foram contratados. A Chiado é uma editora competente no que faz, muito profissional, e quando pude conhecer grande parte da equipe na Bienal do Livro de São Paulo esse ano só consegui confirmar isso. Até o fundador da editora, Gonçalo Martins, mantém um contato próximo e atencioso com os autores. Inclusive, ele próprio me disse que acreditavam no meu potencial quando me disse que Aissur não teria custo algum por minha conta.

IndieOuSorte: Depois do auê da chegada da Amazon aqui no Brasil, muitos autores continuam recorrendo a ela para publicar seus e-books, porém, existe muita discussão na net sobre o e-book estar morrendo no Brasil. Qual sua opinião, como editor, quanto a isso?

Dêner B. Lopes: E-book é inegavelmente sucesso. Ainda há o tipo de leitor que prefere o livro impresso, mais pela não-adaptação na leitura. Muitos leitores recorrem aos e-books pela praticidade. Para mim, sou do tipo antigo, arquivo digital só leio para trabalho, isso quando não imprimo.

IndieOuSorte: Em contraponto a essa questão do e-book, tem crescido aqui o número de editoras que oferecem serviços de publicações pagos pelo autor. Você acha válido esse tipo de investimento para que é autor iniciante?

Dêner B. Lopes: Depende do tipo de proposta oferecida ao autor. Não sou contra, mas se o autor está pagando para publicar numa editora que publica dezenas de outros livros mensalmente ele tem que ter a ciência de que ele só irá se destacar por mérito próprio, com seu trabalho de divulgação. Não é sentar e esperar direitos autorais pingarem na conta bancária. Não sou contra o autor comprar exemplares para revenda, o bom é que ele ganha mais do que os diretos autorais para cada livro e ainda assim cria um vínculo com o leitor que se estende para lá de anos.

IndieOuSorte: Depois da ultima Bienal do livro de SP, muito se falou sobre o crescimento do gênero fantasia aqui no país, e que há um crescimento no mercado como um todo. Você concorda com isso?

Dêner B. Lopes: Fantasia e romance são cargos-chefe. Inegável. Porém, quando o mercado se vê saturado, cria-se um tipo de preconceito com tais livros. Mas ainda assim, parece que esse peso não se aplica tanto assim a esse gênero como se aplica nas distopias, livros eróticos, etc.

IndieOuSorte: Foi lançada recentemente a antologia 31 Contos Assombrados da qual você foi o organizador, pela Rouxinol Editora. Você acha que antologias funcionam bem como primeiro passo para um autor iniciante e qual o impacto delas para nosso mercado?

Dêner B. Lopes: É uma boa pedida. Você conhece novos autores, cria amizades, e consequentemente os leitores desses outros autores passam a conhecer o seu trabalho também, e assim vai. Sempre recomendo a autores novos começarem publicando em coletâneas.

IndieOuSorte: Recentemente você abriu sua própria editora, a Villa-Lobos. Queremos saber. Quando nasceu esse desejo de, além de escrever, editar e lançar trabalhos de outros escritores?

Dêner B. Lopes: Quando eu apenas ajudava a dona da minha antiga editora e começaram a me chamar de chefe, porque eu fazia praticamente tudo no quesito de edição. E depois de um desentendimento com a mesma, decidi que estava mais que na hora de fundar minha própria editora. E não é que a recepção está sendo maravilhosa?

IndieOuSorte: Fala para nós quais são os objetivos e linha editorial da Villa-Lobos.

Dêner B. Lopes: A Villa-Lobos se foca no momento em lançamento de coletâneas literárias, de todos os gêneros. Diferente de outras editoras, que cobram dos autores adquirir 15, 20 ou até mais exemplares para ter seu conto ou crônica publicados, a Villa-Lobos apenas dá a opção do autor adquirir 2 exemplares para a publicação. O autor recebe total auxílio da editora, trabalho de copydesk e consegue tirar todas suas dúvidas com apenas um e-mail.

Recentemente estamos trabalhando com alguns originais também, mas no momento somente de autores conhecidos da editora. O foco não é publicar muitos originais de uma vez, e sim aos poucos, para dar a devida atenção ao autor publicado.

IndieOuSorte: Inclusive, você está organizando mais uma antologia que será a primeira publicação da Villa-Lobos, a “Um Céu e Estrelas”. Conta para os leitores interessados, como eles podem fazer para participar da seleção para ter seu conto publicado.

Dêner B. Lopes: Possivelmente será meu último trabalho como organizador de antologias. Pretendo me focar mais na parte editorial daqui para frente. Para ser aceito, o autor terá de escrever um conto ou crônica que tenha como tema principal o amor, que o texto seja bem escrito, com uma história e profundidade que consigam cativar o leitor. O edital de publicação estará no fim da entrevista, se não me engano.

IndieOuSorte: Essa antologia trata de reunir contos ou crônicas que falem simplesmente de amor. Gostaríamos de saber o porque da escolha desse tema, e não, algo mais badalado, como fantasia, por exemplo?

Dêner B. Lopes: Fiz uma enquete no meu perfil pessoal no Facebook com as opções de temas. Das centenas de respostas, contos de amor e de fantasia ficaram tecnicamente empatados, e no final a primeira ganhou. Como eu disse, esses são os temas mais em alta hoje em dia, e não acredito que mude tão cedo.

IndieOuSorte: E os planos para o futuro, tanto para seus livros, ou sua editora. O que vem por ai?

Dêner B. Lopes: Crescer. O lado escritor fica um pouquinho para trás no momento. Quero voltar a escrever sem ter prazos, apenas por prazer. Mas sempre poderão contar com textos meus em antologias da Villa-Lobos.

IndieOuSorte: E pra finalizar, Qual a dica que você pode deixar para o autor iniciante?

Dêner B. Lopes: Como sempre digo, e sempre irei dizer: leia. Não leia para absorver somente a história. Leia para absorver a forma como o autor escreve, por que ele usa ponto-e-vírgula onde se poderia usar parênteses, por que ele usa aquela expressão toda vez em casos de grande importância, como ele sempre consegue finalizar um capítulo te deixando mais ansioso para terminar de ler... Ser escritor é assim. Um leitor demora de dois a três minutos para ler uma página. Eu por exemplo demoro o triplo de tempo.

SE você curtiu a entrevista, não esqueça de comentar. Siga O Dêner B. Lopes para acompanhar seu trabalho. Não esqueça de curtir a fanpage da Editora Villa-Lobos.

EDITAL DE PUBLICAÇÃO PARA A ANTOLOGIA "UM CÉU E ESTRELAS"

1. O conto ou crônica deve estar dentro do tema proposto, ou seja: sobre o amor, que o retratem tanto positiva ou negativamente. Esse deverá ser um dos temas centrais da história.

2. O autor deverá enviar o texto em um arquivo WORD, disponível para edição e justificado, contendo nome completo do autor, pseudônimo (se tiver) e uma minibiografia sucinta, assim como o e-mail para contato ao final. Arquivos em PDF ou quaisquer outros que não WORD não serão considerados.

3. O gênero da antologia é jovem-adulto. Palavras de baixo calão não serão permitidas nesta antologia. Se houver em algum texto, poderão ser excluídas na revisão.

4. Autores com menos de 18 anos poderão participar, e caso seu texto for aceito, deverá assinar o contrato juntamente com seus responsáveis legais.

5. O envio do conto ou crônica deverá ser feito através do e-mail editoravillalobos@hotmail.com.

6. O texto deverá ter ao máximo o tamanho de 7 (sete) mil caracteres com espaços. Caso o texto seja maior (até 15 mil caracteres), o autor se compromete a adquirir 1 exemplar excedente a cada 1 mil caracteres a mais do tamanho limite.

7. Caso o texto seja aceito, o autor acorda em adquirir 2 (dois) exemplares da antologia pelo valor unitário de R$ 39,90, ou parcelado em até duas vezes de R$ 49,90. Caso o autor queria adquirir mais exemplares para revenda ou promoções, cada cópia terá o valor promocional de R$ 19,90. Acima de 10 cópias, o autor terá 10% de desconto na compra.

8. Caso a coletânea atinja os 100 textos selecionados, sua edição será em capa dura, sem alteração de preço dos 2 exemplares obrigatórios.

9. Caso tenha alguma opinião/sugestão/crítica, favor encaminhar para o e-mail editoravillalobos@hotmail.com com o assunto devidamente preenchido.

Prazo de envio do conto: 3/10/2016 até 20/11/2016
Capa provisória: William M. Braga.

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