#Resenha: Necrópolis - A Fronteira das Almas, de Douglas MCT

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Sabe aquele livro que você compra, sem saber o porquê, atraído unicamente pela capa, e sem pretensão nenhuma de lê-lo rápido, e acaba tendo uma bela surpresa no fim de tudo? Pois bem. Esse é Necrópolis - A Fronteira das almas do Douglas MCT.

A obra que mistura fantasia de horror de uma forma bem interessante é o primeiro de uma série de seis livros. Quando comecei a ler, lembro que me senti bem desmotivado pelo ritmo em que a história se inicia. Existe um prólogo, sim bem interessante, que te joga em um ambiente sobrenatural e soturno e faz querer saber mais da história, mas quando você começa a desbravar as primeiras páginas da trama, de fato, acaba meio que decepcionado por não achar nada referente àquele prologo tão interessante. Mas, guardemos esse prólogo, pois merecerá nota mais adiante.

A trama conta a historia dos irmãos Verne e Victor Vipero, e o drama que envolve a morte trágica do irmão mais novo Victor. Assim Verne acaba indo parar em Necrópolis, o mundo dos mortos, e é nesse mundo sombrio e misterioso que ele inicia sua saga para tentar achar e resgatar a alma de seu irmão.

A partir daí somos apresentados à uma narrativa que de inicio dá a impressão de ser bem arrastada, e sem foco. Quando digo sem foco, quero dizer que a busca de Verne, que deveria ser o centro da trama, acaba ficando em segundo plano em virtude das diversas tramas e sub tramas que são apresentadas assim que aparecem novos personagens.

E por falar em novos personagens, em Necrópolis, os coadjuvantes também são uma atração à parte.

 Em sua jornada, Verne passa a contar com a ajuda de Simas Tales, um rechonchudo ladrão velocista (tipo o Flash mesmo) chegado em uns bons goles de cana, Karolina Krisanof, uma mercenária voluptuosa mestra nas artes da espada e em tirar baba de homens por onde passa e Ícaro Zíngaros, um homem pássaro misterioso como um passado obscuro. Desses personagens, eu posso dizer que são todos desenvolvidos de forma muito competente. Todos tem camadas e subcamadas em suas personalidades. Tem passado, dramas e peso, porém, o que mais me chamou a atenção neles não foram suas habilidades únicas, mas sim a capacidade coletiva de simpatizar com a causa do protagonista e decidir ajudá-lo. Sério. Incrível, como sendo ladrão, mercenário, gigante, vampiro, duende ou dragão, todo mundo aceita ajudar Verne de cara nessa trama (Sério, se esse moleque se candidatasse à prefeitura de Necrópolis, ganhava fácil).

Como eu disse, esse foi um livro que li entre livros. Digo isso porque a narrativa, de início não foi capaz de me prender em uma leitura desenfreada. A impressão que eu ia nutrindo ao longo dos capítulos era que o autor estava perdendo o controle de sua historia.

MAS, EU ESTAVA ERRADO.

Pois é. Como eu já disse, a trama cheira de subtramas e tramas paralelas, repleta de flashbacks e narrativas internas dos próprios personagens passaram a impressão de que ela estava se esfarelando. Mas é aí que eu descubro que estava totalmente errado. Sabe aquele prólogo que citei lá no começo, que eu disse não entender a ligação que ele tinha com a trama? Lá pra depois de 70% da leitura completa, o autor surpreende a fazer a ligação da trama como esse prologo, e ai fica claro que não é a historia que é sem foco ou esfarelada. Era eu que não estava preparado para historia complexas, cheia de nuances e facetas como aquela.

Quando os fatos começam a se afunilar e a busca de Verne chega próxima de seu fim é que realmente eu encontrei aquela leitura desenfreada que eu tanto queria. Eu passei a perceber que a métrica da historia é linear como deve ser, mas, a presença dos coadjuvantes vez ou outra apresenta algum elemento, seja ele narrativa interna ou flashback que nos faz fugir um pouco da linha principal e enveredar pelas vielas secundária da trama, trazendo cada vez mais detalhe e complexidade a coisa toda; eu precisei me afastar pra perceber isso, como quem olha um quadro impressionista.

E o final. Fiquei muito feliz em ver que o autor não foi pro lado óbvio ou monótono da coisa, dando a amarrada derradeira de forma certeira, deixando um ótimo gancho. Pessoalmente, não achei Verne Vípero um protagonista cativante, mas é satisfatório pois cumpre bem seu papel, e passa direitinho a mensagem de perseverança e valor aos laços familiares.

E foi assim que Necrópolis - A fronteira das almas acabou se revelando uma grata surpresa. O autor, Douglas MCT apresentou um trabalho que engana, por parecer (para alguém sem tato como eu) algo pobre de inicio, mas que depois revela ser mais encorpado, cheio de detalhismo e complexidade. Seu estilo trás uma pegada que bebe fartamente da fonte de alguns quadrinhos e vídeo games, com o uso certo de expressões e vocabulário que consegue com competência te colocar pra baixo e partes mais sombrias, e te disparar a adrenalina em partes de ação.

A ambientação também é algo digno de nota. O autor consegue, em um trabalho hercúleo, tornar palpável um mundo sombrio, de caráter quase etéreo. Todas a cidades, civilizações, leis e mitologias desse mundo parecem bem críveis, no contexto de fantasia. Douglas MCT demonstra, nesse seu primeiro romance, competência e fôlego para levar adiante uma saga épica. E assim, eu termino, partindo imediatamente para a leitura do segundo livro: Necrópolis - Batalha das feras. No vemos lá!

Dados da Obra:
Titulo: Necrópolis - A fronteira das almas.
Autor : Douglas MCT.
Editora: Guthemberg (Setembro de 2013)



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