#Bienal do Livro | Quanto custa esse sonho? [Conheça os valores que ninguém nunca te disse]

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Quanto custa o sonho de ter um livro publicado? Salvo os casos em que uma editora se interesse em publicá-lo assumindo todos os gastos, já sabemos que não é barato (algumas editoras de publicação paga que o digam, ein?).

Recentemente, tive a vontade de colocar essa questão no contexto da Bienal, evento mor da literatura em nosso país. Lá vou eu, então, na missão hercúlea de mostrar aos meus leitores/autores iniciantes, quanto custa “montar uma banquinha” pra vender seu livro na bienal.

Foram semanas de trabalho infrutífero, contatando (enchendo o saco mesmo) e questionando editores. Por um tempo, ninguém se designou a responder quanto de fato uma editora ou um autor pagava para entrar como expositor em uma Bienal da vida. Não sei bem o porquê de editores (e alguns autores) se negarem a falar de valores, mas enfim, sabemos que água mole em pedra dura...

Eu já estava dando essa pauta como morta, quando do nada, cai no meu colo um vídeo em que um editor da editora Selo Jovem falava sobre valores cobrados nessa ultima Bienal e dava sua opinião sobre os mesmos (você pode conferir esse vídeo na fanpage da editora). Depois de comentários sobre esse vídeo no meu face, alguns editores finalmente me responderam e eu consegui finalmente alguns valores que vou dividir com vocês agora. Pode ir preparando o martelo e o cofrinho.

Primeiramente, em eventos como a Bienal, o espaço designado aos expositores, no caso editoras, livreiros, distribuidores e autores independentes é vendido por M², e esse preço varia de local em local. Por exemplo, na Bienal do Rio do ano passado, o M² estava custando 739 reais, no pacote mais básico, sem taxa de montagem e nos primeiros dias, que costumam ser mais baratos. Já em São Paulo, chegou a informação que o M² estava por pouco mais que 400 reais sofrendo as mesmas variáveis de preço.

Você também precisa entender essas variáveis que alteram esses valores, como já citado, os dias em que o expositor deseja expor, podendo variar de 997 até 1,156 reais nos melhores dias. Os preços também são diferenciados para quem não é editor cadastrado no SNEL (Sindicato Nacional de Editores de Livros) ou CBL (Câmara Brasileira do Livro), no caso o autor independente. Por exemplo. No caso da Bienal do Rio de 2015, o pacote básico de 739 reais para um editor cadastrado subiria para 853 reais no caso de você não ser cadastrado no SNEL.

Ainda é importante saber que o stand de menor porte permitido tem 25 metros. Dai já da para você ir fazendo umas continhas.

Existem ainda as taxas que dão um acréscimo final ao valor. São elas: luz, lixo, aluguel de material, armazenamento, a maioria orçada em torno dos 300 reais, e montagem, sendo essa ultima dividida em três níveis, variando do nível 1, em que o expositor recebe seu espaço demarcado no chão e nada mais, até o nível 3 onde o expositor já contaria com carpete de nylon, paredes divisórias, placa de identificação, instalações elétricas e stand com prateleiras. Esses números correspondem a Bienal do Rio de 2015, mas segundo as minhas informações, os preços da de são Paulo não fogem muito disso.

Em resumo, com o menor stand permitindo, somando todas as taxas agregadas, mais estadia e outros gastos, o expositor pagaria nessa ultima bienal, no barato algo entre 25 e 27 mil reais, isso excluindo os custos da editora antecedentes ao evento, como produção de novas tiragens e transporte. E como sabemos que autor, principalmente o iniciante é bicho que arrota dinheiro, ai fica fácil né.

E apesar de toda essa discussão em torno, a Bienal do livro de São Paulo teve um saldo bem positivo. Foram mais de 670 mil visitantes durante todo o evento, mais de 3,7 milhões de títulos vendidos gerando uma arrecadação final de 83 milhões, superando em 12 milhões a arrecadação da ultima Bienal. O publico jovem foi destaque nessa edição, figurando 56% do público geral. (informações via Matéria do G1.com).
trecho retirado da tabela oficial de preços da Bienal do Livro do Rio 2015

É estranho pensar que um evento como a Bienal do livro de São Paulo tenha esse aspecto dúbio, funcionando tão bem como disseminador do habito da leitura no pais, mas falhando tão prodigiosamente como máquina de negócios, ao menos no que diz respeito a editoras pequenas e autores independes.

Em uma conversa com alguns escritores à respeito, ouvi pontos de vistas bem interessantes. Um deles dizia que uma bienal não é pensada para editoras pequenas; é um espaço designado aos grandes conglomerados. Outro disse que o evento não está ali para servir como máquina de negócio, e que a visibilidade que uma editora consegue em uma bienal por si só já paga o investimento. Posso até estar falando asneiras (muito provavelmente) mas olhando por esse prisma, a Bienal do Livro de São Paulo ficaria taxada apenas como o outdoor mais caro do Brasil.

Essa conversa com escritores foi realmente revigorante, antes de mergulhar no word para trazer esse texto à vocês, pois eles me fizeram ver aspectos como os de investimento na organização de um evento assim, com anunciantes e propaganda maciça feita por toda a cidade, atrações internacionais pagas pelo evento e a própria estrutura do local onde aconteceu. E, não serei eu a fazer qualquer julgamento a esse respeito, afinal, meu papel aqui é apenas informar.

No mais, creio que há uma falha no pensamento de que o editor menor ou autor independente peca em desejar não sair do evento com saldo negativo, e que a visibilidade paga o esforço, pois creio que a organização jamais teria um pensamento assim. Assim como ela planejou o evento nos mínimos detalhes para obter um saldo positivo no final, não acho ser um pecado o editor/autor fazer o mesmo. Todo mundo tem conta pra pagar, ué. Me ajuda ai, né?

Não é preciso alarmar o quão sofrido e caro é o caminho para o autor sem editora, ou que publica por editoras menores. Essas mazelas já estão bem expostas na internet. Fica aqui esse texto com aspecto mais informativo do que opinativo.

E pra você, quanto custa um sonho, e o quanto você estaria disposto a pagar por ele?


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