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Clarice Lispector foi sensacional ao criar uma personagem que não vive, apenas existe e longe de mim querer tirar esse mérito dela. Clarice escrevia com toda a sua alma para tocar a nossa e, de certo, que conseguia cumprir sua missão com maestria. Tanto que é humanamente impossível não nos emocionarmos com Macabéa; sentirmos suas dores (físicas, psicológicas e emocionais) num misto de repulsa por sua apatia e compaixão pela mulher sem vez e sem voz.

Numa leitura mais concentrada somos capazes até de sentir seu mal cheiro e bafo de café. Seu desleixo é algo que nos incomoda. A resposta a isso é instintiva: ninguém quer ser mais uma Macabéa, porém a vida real mostra que, apesar de já estarmos em pleno século XXI, muitas delas ainda existem e estão mais perto de nós do que ousamos sequer imaginar, não só entre os mais desfavorecidos, mas também perambulando pelas classes média e alta.

E é surreal como ficam estigmatizadas pela sociedade num discurso do tipo "Fazer o quê? A vida é assim mesmo. Normal, né?". NÃO. O nome disso é inversão de valores. O normal é que  essas mulheres não sejam agredidas e humilhadas, contudo, caso isso aconteça, que não se desculpem como Macabéa fazia, acreditando ser a culpada  por seu namorado Olímpio tratá-la daquela forma.

Então, partindo do princípio de que uma imagem vale mais que mil palavras, entretanto, sem em momento algum desmerecer Clarice por sua imortal A hora da estrela, mas sim visando um conflito e não um confronto, penso que nas atuais circunstâncias, um reforço positivo seria mais pertinente. Que nossas protagonistas não sejam narradas por vozes masculinas. Que elas libertem o grito preso em suas gargantas, podendo assim nos agraciar com sua versão dos fatos, encorajando, através de seus testemunhos, nossas mulheres reais a se libertarem também.

---SOBRE A ALCIMARE DALBONE---

Alcimare Dalbone nasceu em 18 de setembro de 1980, em Volta Redonda, RJ, onde ainda reside. Cursou Letras pela UGB, graduando-se em 2001. Atualmente leciona Português e Inglês para as turmas de ensino médio na rede estadual do Rio de Janeiro. Sua poesia Pontos e Partes foi publicada na antologia Trilha de Lótus pela Editora Andross, e foi indicada ao Prêmio Strix de melhor poesia. Pela Young Editorial, participou de Horror a Vapor, uma antologia de Halloween, com o conto Plataforma 90, e teve seu primeiro romance, A Pedra Lunar, relançado em setembro de 2016, na Bienal do Livro de São Paulo.

Contato: maredalbone@hotmail.com

Fazer rir ou chorar. Conseguir emocionar alguém com as palavras.

Narrar sagas épicas, mistérios escabrosos ou amores impossíveis. Enfim, contar uma boa história. Esse é — ou deveria ser — o objetivo principal de quem se propõe a escrever um livro.

No entanto, o que poucos sabem é que como uma casa, uma boa história deve estar apoiada em fortes pilares para que não desabe e que não desabe e perca-se todo o trabalho duro que foi para construí-la. Sua história corre o mesmo risco de “desmoronar” caso não cative e prenda o leitor. Isso acontece caso seu trabalho não esteja sustentado por uma base sólida.

Harry PotterSenhor Dos AnéisGame Of Trones; são livros de estilos e histórias diferentes, mas com algo comum, construídos sobre os cinco fundamentos da Ficção.

Você sabe quais são os alicerces fundamentais que esses best-sellers usam e que sustentam uma história bem escrita?

Então continue lendo esse artigo para aprender os cinco alicerces da ficção e como usá-los para deixar sua história irresistível.

AUTOR INSTINTIVO


Quando terminei de escrever meu primeiro livro, em meados de 2012, eu poderia me chamar de autor instintivo. É necessário falar sobre esse tipo autor antes de chegar nos fundamentos da ficção.

Mas o que porra seria um autor instintivo?

Autor instintivo, como o nome já fala, é aquele que escreve por instinto. Como um salmão que retorna ao seu lugar de nascimento depois de anos; ele não sabe como faz, apenas faz.

O autor instintivo não lê ou estuda nada sobre o ofício da escrita e baseia seu trabalho nas poucas coisas que já leu na vida; alguns por ignorância, outros por puro ego mesmo.

Acredite em mim, jovem, isso não é nada bom, pois prende o bendito a vícios de linguagens e estilo que ele absorveu das coisas que já leu. Sem estudar os fundamentos, no máximo você se tornaria um ótimo imitador, um Stephen King ou um Tolkien do Paraguai, e nunca com uma voz própria.

Claro que existem os gênios natos, que tem a escrita saltando das veias, sem nunca ter lido nada a respeito. Se você é um desses, pode desconsiderar esse artigo.

Muitos dos que se aventuram na escrita, principalmente nos grupos de escritores do Facebook e Wattpad, apresentam os aspectos principais do autor instintivo. São eles:

  • Falta de curiosidade sobre o ofício da escrita


  • Preguiça cultural (preguiça de ler mesmo)


  • Desorientação em seu próprio trabalho (não saber o que está fazendo e se perder antes de começar de fato a escrever)


A escrita é um ofício, e como tal exige estudo e melhoria para qualificação. Um médico que opera apenas baseado em um filme ou série de medicina que viu não poderia trabalhar, então, porque um autor que escreve apenas baseado em instinto poderia escrever? Escrever até pode, já escrever bem, aí é outra história, meu querido(a).

Apenas depois que publiquei Bella café – A Morte e as damas da noite (leia no wattpad) foi que me veio a curiosidade de esmiuçar melhor o ato de se contar boas histórias.

Foi em uma de minhas pesquisas na Web que topei com o livro Writing Fiction for Dummies (de Randy Ingermanson e Peter Economy) e conheci os pilares que sustentam uma boa história.

É bom frisar que o resultado do meu livro me deixou feliz, mas sei que contar com a sorte para escrever algo bom não deve fazer parte do currículo de um escritor. Começar conhecendo os cinco fundamentos de uma boa história, deu o pontapé — na minha bunda mesmo — que eu precisava para buscar estudar mais e melhorar na minha escrita.

Resumindo: larga de ser preguiçoso(a) e estude, porque só o que autor instintivo consegue na vida é ficar enchendo linguiça em rede social.

OS CINCO FUNDAMENTOS


É bom lembrar que escrever uma história boa não é uma receita de bolo, por tanto, nada assegura o sucesso da mesma. Porém, as histórias que estão fortificadas em cima desses cinco alicerces têm muito mais chances de agradar leitores e se tornar um sucesso. São eles:

CENÁRIO: Onde se passa sua história? Quais as características desse lugar, suas regras, suas peculiaridades. Isso é o cenário, o pano de fundo que pode ser muito ou até mais importante que os personagens que o permeiam. Uma descrição palpável de um cenário, seja ele fantástico ou não, é sem dúvida um dos pontos principais na criação de uma boa história, pois situa e, dependendo do escritor, captura a imaginação do leitor com maior facilidade. De Senhor dos Anéis à Harry Potter. De Duna à Blade Runner, todos sabem bem disso.

Para criar cenários fantásticos, você não precisa ir muito longe. Observe o mundo que o rodeira, ele é vasto, maravilhoso e interessante. Leia sobre culturas exóticas, estude sobre costumes interessantes, pesquise sobre guerras e política de outras nações. Uma hora a inspiração aparecerá.

PERSONAGEM: Segundo o livro Manual do Roteirista, de Syd Field “Drama é conflito. Personagem é ação!”. E se personagem é ação, simplesmente não existe uma história a ser contada sem eles.

Um personagem é a catraca que faz a engrenagem de sua trama funcionar. Ele tem que ser bom, tem que ter camadas, complexidade. A criação de personagens que convidem a mente do autor à reflexão, que cative, que gere amor ou ódio, que crie identificação com o que o leitor tem dentro de si, é fundamental na escrita de uma boa história. Se sua intenção é criar uma narrativa que marque como ferro em brasa, desenvolver bons personagens é um passo gigante nessa direção.

Em Decrépitos, de Fábio Mourajh, o protagonista é Loan, um garoto de uma raça alterada geneticamente. Sua vida tem uma reviravolta quando ele é resgatado por outros de sua espécie da pobreza e miséria onde vivia. Mesmo em outra cidade, tendo tudo que nunca teve na vida, o medo e o ódio que carrega dentro de si pelos anos de sofrimento, violência e trauma que viveu o impendem de progredir. Viu como o conflito interno torna personagem mais interessante?

TRAMA: Nos mais belos tecidos, existe para quem olhar melhor, uma trama de finos fios responsáveis por formar as cores e figuras. Com o ofício de contar histórias não é diferente. A trama é o que está por trás de sua história. É todo o emaranhando de informações, acontecimentos e ações que faz sua narrativa andar e chegar ao ponto que você — e o leitor — desejam. Gosto de pensar que ser escritor é meio que ser artesão das palavras. Então, trabalhe sua trama, comande-a e saiba guiá-la pelo caminho certo: o coração de seus leitores.

Se posso dar alguma dica, é: leia bons romances policiais. O gênero tem muito a ensinar sobre como construir tramas fodas.

TEMA: uma história que não fala sobre nada, que não tem uma mensagem embutida, não é uma historia, é só um aglomerado de coisas acontecendo. O papel do tema é ser a pedra fundamental sobre qual sua narrativa começa a ser construída. Pare e pense: Sobre o que é sua história? Qual o seu tema? Amor impossível? Corrupção? Tráfico de pessoas, ou de Elfos?

Geralmente, uma história nasce de uma ideia relacionada a um tema, podendo ser algo atual, como um escândalo político visto na TV, ou algo antigo, como o preconceito contra os negros no país e no mundo. É com este tema que o autor tem a chance de dizer o que pensa, colocar a sua opinião embutida de forma sutil ou escancaradamente, no desenrolar da trama O tema certo, em um momento certo, pode ser meio caminho andado para uma história bem-sucedida. Escolher bem seu tema é escolher o foco que sua história toma. Escolha um bom tema e mande brasa.

ESTILO: Estilo é a maneira como o escritor manipula a linguagem escrita para contar sua história e chegar a um resultado desejado. Isso significa que estilo está ligado a forma como o autor usa técnicas e outros artifícios da língua para alcançar um melhor resultado estético.

Pode ser o uso de palavras de impacto, expressões muito rebuscadas, parágrafos longos ou curtos de demais, uso de advérbios, manuseio de metáfora e etc. Esse são alguns dos muitos aspectos que formam o que chamamos de estilo.

Mas, não se pode confundir estilo próprio com estilo de época.

Como já dito acima, estilo próprio é tudo aquilo que identifica o autor em sua forma de escrever e contar historias, dando a ele individualidade.

Já estilo de época tem a ver com uma série de procedimentos estéticos que de cara já caracterizam determinado período histórico por terem sido repetidos de forma constante por uma geração ou mais de autores.

Assim, quando falamos de estilo próprio, podemos falar do estilo de Machado de Assis, de Tolkien ou Draccon. E quando falamos de estilo de época podemos falar de Romantismo, arcadismo e etc.

Sendo assim, pode-se dizer que estilo é a impressão digital — em palavras — do escritor. Então, crie, escreva, apague e rescreva. Trabalhe duro até achar seu estilo, pois é ele que diz ao seu leitor (e fã) que aquele livro é seu, e que vale a pena ser lido.

FINALIZANDO


Escrever é um ofício que pode tirar bons frutos do instinto do autor, mas acredite quando digo, boa parte é estudo e prática.

Então, não se engane achando que só porque você aprendeu esses cinco fundamentos já pode deitar na rede e relaxar. Isso é só o começo. Ainda usando a analogia de uma casa, esses cinco pontos são a fundação sólida, mas ainda faltam paredes, teto e acabamento. Ou seja, você ainda tem muito o que estudar e ler (de preferência aqui no blog!).

Como exercício você pode reler seus livros favoritos e observar como os grandes mestres aplicam esses cinco fundamentos em suas histórias e aprender muito com isso.

Então, esse artigo lhe foi útil? Então que tal compartilhar e ajudar mais escritores com ele? Não esquece de deixar aquele comentário, pois como sempre digo, sua opinião é a melhor parte do nosso trabalho.





Desde que me formei em Literatura, no início  do tão almejado ano 2000, véspera de virada de século e de milênio, que já vinha me questionando sobre o real papel da mulher nos textos literários. Uma protagonista que me chamou profundamente a atenção foi Capitu, muito bem escrita por Machado de Assis. Personagem que revelava olhares oblíquos e dissimulados, na visão de Bentinho, um homem machista e mega ciumento.

Sendo assim, Capitu tinha mesmo olhar oblíquo e dissimulado? Essa era sua verdade? Mulheres devem deixar de serem apenas uma visão masculina distorcida da realidade  para, de fato, protagonizarem suas cenas. Partindo dessa premissa, não interessa uma personagem fraca que se finja de forte, mas sim uma que assuma suas fraquezas e trabalhe para superá-las ao longo de sua história. Conquistará muito mais o coração do leitor se ela for verossímil, afinal, todos temos pontos fortes e fracos.

Também não cabe mais, em tempos pós-modernos, uma competição com o sexo oposto. Como bem disse Mary Shelley (1797 - 1851), autora de Frankenstein, "Desejo que as mulheres tenham mais poder sobre si mesmas." Por menos Helenas (de Troia) que são chamadas de protagonistas sem o serem e mais Hazel Graces, que mesmo tendo sido criada por um homem (John Green) defende com unhas e dentes toda a sua intensidade feminina. Por menos Macabéas e mais Hermiones.

Então, que nós autoras sejamos mais despudoradas na criação de nossas mulheres. Que elas sejam mais ousadas, interessantes e independentes. Que as vozes femininas nos textos atuais sejam donas de si sem serem tachadas com adjetivos pejorativos e clichês, como por exemplo, a personagem de Giovanna Antonelli, uma prostituta no horário nobre da teledramaturgia brasileira, que recebeu o nome de Capitu em uma suposta homenagem à criação machadiana. A ordem é desconstruir discursos e deixar nossas protagonistas mostrarem a que vieram.

---SOBRE A ALCIMARE DALBONE---

Alcimare Dalbone nasceu em 18 de setembro de 1980, em Volta Redonda, RJ, onde ainda reside. Cursou Letras pela UGB, graduando-se em 2001. Atualmente leciona Português e Inglês para as turmas de ensino médio na rede estadual do Rio de Janeiro. Sua poesia Pontos e Partes foi publicada na antologia Trilha de Lótus pela Editora Andross, e foi indicada ao Prêmio Strix de melhor poesia. Pela Young Editorial, participou de Horror a Vapor, uma antologia de Halloween, com o conto Plataforma 90, e teve seu primeiro romance, A Pedra Lunar, relançado em setembro de 2016, na Bienal do Livro de São Paulo.

Contato: maredalbone@hotmail.com

Depois de mais de meio ano sem nenhuma resposta das editoras sobre seu manuscrito, você viu que não ia rolar a tão sonhada publicação pelo modo tradicional.

Mesmo meio desolado (e putasso), você compreende que pagar uma pequena fortuna para editoras que cobram pela publicação pode ser um péssimo negócio caso você não tenha a visão empreendedora necessária para fazer esse investimento retornar, certo?

Não seria foda ter total controle sobre seu projeto, além de não ter de deixar praticamente todo o lucro nas mãos de quem apenas teve o trabalho imprimir seu livro? Então, procurar uma gráfica por conta própria parece um bom caminho, ein? “Tamo junto”, então!

Mas calma, você sabe como achar a melhor gráfica que atenda tanto as necessidades de seu projeto como as de seu bolso?

Pois continue lendo este artigo para descobrir as 5 dicas de ouro na hora de escolher uma boa gráfica para seu livro.

Antes da gráfica:

Calma ai, jovem. Sossega esse facho. Primeiro de tudo, você precisa ter em mente que quando você assume totalmente a produção independe de seu livro, caberá a você organizar todo o projeto. Isso! Dar uma de editor mesmo. Isso significa executar ou procurar quem execute os serviços de revisor, copy desk, diagramador, leitor crítico, capista, pagar todo esse pessoal para só ai mandar para a gráfica.

Não sabe o que esses profissionais fazem ou como encontra-los? Relaxa ai que estamos preparando um artigo especialmente falando disso mas, por enquanto, vamos focar nas cinco dicas de ouro para escolher sua gráfica.

Acredite em mim, sabendo fazer a coisa toda direito, pode sair MUITO mais barato que simplesmente contratar uma editora para publicar.

Na gráfica:


O seu livro como produto, além de muito bem escrito, precisa de uma boa impressão e acabamento para ajuda-lo a alcançar seus leitores. Mas, mesmo para quem já tem experiência no ramo, encontrar uma boa gráfica não é tarefa fácil (na verdade pode ser um bom pé no...). Para você que é autor independente/iniciante, temos essas cinco dicas para ajudar na hora de escolher melhor sua gráfica. São elas:

1 – Comunicação e acessibilidade

Um dos fatores mais importantes na hora de escolher sua gráfica é saber se ela tem uma boa comunicação. Verifique se eles têm costume de responder e-mails de forma rápida e clara. Veja também em quais canais a gráfica está disponível para conversar com o cliente. Isso mostra o nível de preocupação da gráfica com seus interesses.

Você, como autor, deve ter um prazo para produção de seu livro, e tudo que você menos quer é ficar atravancado em uma gráfica que demora a responder, caso algum problema ou mal entendido surja na hora da impressão final.

2 – Equipamentos

Uma boa gráfica deve estar emparelhada com o que há de melhor em tecnologia de impressão. Visite a gráfica que você pretende contratar e verifique se a mesma tem um bom parque gráfico. Se ela possui bom maquinário, já é meio caminho andado para que seu livro saia do jeitinho que você imaginou.

3 – Preço

Ter o maior e melhor maquinário do mundo não lhe adiantará nada, se você não conseguir pagar o que eles pedem. Gráficas que conseguem equilibrar qualidade de serviços com preços razoáveis são as que mais se destacam, e são essas que você deve procurar. Uma pesquisa rápida de preços antes sempre ajuda na hora de escolher definitivamente a gráfica para seu livro.

4- Material e acabamento

Você sabe que o capricho na produção de um livro é um detalhe que muitas vezes define a compra pelo leitor. Um papel de boa gramatura, uma lombada bem feita, uma orelha e uma capa bem impressa. Tudo isso conta.

Então, procure saber de sua gráfica se ela utiliza os melhores materiais para impressão de livros (vem ai um artigo só falando sobre isso também), se ela tem esmero com a integridade das cores na impressão e se seu prazo de entrega não é curto demais, o que pode significar um acabamento feito de qualquer jeito.

Uma boa dica seria comprar um livro já produzido por aquela gráfica e avaliar o material e a qualidade do acabamento.

5- Localidade

Você pesquisou em todo seu bairro/cidade e não achou uma gráfica sequer que atendesse todos os requisitos acima? Relaxa que temos a solução.

Você pode achar que a gráfica perfeita para seu trabalho está perto de você; E isso é bastante errado. Com essa maravilha chamada internet, surgiram gráficas online, onde pessoas de todo país (e de fora) podem encomendar impressões longe de onde moram e receber tudo em casa via correios. A vantagem desse tipo de gráfica é o preço, muitas vezes melhor do que daquela gráfica da esquina da sua rua.

Entre as desvantagens estão a necessidade de um bom conhecimento de campo para lidar com elas, além de ser meio que impossível visitar as dependências fisícas pessoalmente. Se você encontrou uma gráfica boa, mas que fica em outro estado, a dica é verificar se em seus contatos se não existe ninguém de lá (de confiança) que possa lhe ajudar a executar esse projeto, atuando como seu representante diretamente com a gráfica.

Finalizando


Todas essas dicas de nada adiantarão caso você não saiba bem o que está fazendo. Portanto, vamos deixar de preguiça e estudar como se monta e executa um projeto gráfico. Cerque-se de pessoas que entendam do assunto e peça ajuda a profissionais na hora de fechar o projeto e mandar para a gráfica. Isso, claro, sem esquecer de sempre ficar ligado em nosso conteúdo.

Falando nisso, se esse artigo lhe ajudou de alguma forma, você pode me pagar por ele. Mas não quero seu dinheiro. Você me paga curtindo, comentando ou compartilhando esse conteúdo para que ele ajude mais autores independentes a alcançar seus sonhos.

Antes de mais nada peço desculpas por esse título com cara de “youtuber”, mas precisava chamar a sua atenção para esse assunto que ainda gera dúvidas e discussões (tretas mesmo) entre autores novatos e independentes. Além do mais, lendo esse artigo até o final, você perceberá que esse título não é todo “falso”.

Vamos lá?

A opinião dos leitores é, sem dúvida, uma das coisas mais importantes na vida de um autor, afinal, sem ela o livro perde boa parte de seu simples sentido de existir.

Opiniões, pitacos ou palpites, não importa, elas estão sempre lá, tendo forte impacto, antes mesmo da publicação do dito livro. É nesse período que conhecemos os tais Leitores beta, figuras tão importantes e indispensáveis no processo de concepção de uma obra literária.

Continue lendo esse artigo para saber mais sobre o que são, qual seu papel e como conseguir um leitor beta que te ajude na produção do seu livro.

O que são?


Na indústria, uma versão beta é algo, um produto, ou serviço que ainda está em fase de testes e precisa de opiniões externas para dar aquela “aparada nas arestas” finais.

No meio editorial chamam-se leitores beta (ou beta reader) pessoas que têm acesso à leitura de um livro antes da publicação, ou seja, ainda no manuscrito ou no meio do processo de escrita.
Resumindo: o cara que vai ler seu livro antes de todo mundo.

Por que são tão importantes?

É do leitor beta que partem as primeiras opiniões sobre o livro que está sendo produzido. Sua visão exterior revela aspectos da estrutura da obra que passam despercebidos por nós, autores (afinal, para nós, nosso texto é sempre uma obra-prima). É a partir dessas primeiras opiniões que o autor pode dar inicio a outro processo primordial na produção de seu livro: a lapidação ou reescrita do texto.

Mas, como achar um bom leitor beta?

Bem, sou meio chato quanto a isso e tenho uma série de características que julgo indispensáveis na hora de escolher meus leitores beta, e resolvi listá-las aqui para vocês.

1 – Ser alguém de confiança

Supõe-se que no processo de produção você ainda não registrou sua obra, então, nesses casos recomenda-se buscar leitores betas em seu círculo de confiança, que não divulgarão sua obra indevidamente antes da hora. Em casos assim é bom sempre recorrer a amigos e conhecidos e correr dos grupos de divulgação de autores iniciantes.

2 – Gostar de ler

Parece meio óbvio que seu leitor beta seja “um puta” de um leitor assíduo, porém, é bom ressaltar a importância de buscar. Nada de ficar torrando o saco de outros escritores. Eles têm suas próprias obras para colocar para frente e provavelmente não vão dispor do tempo necessário para mergulhar na leitura de seu manuscrito.

3 – Ser comprometido

Afinal, de que adianta encontrar um leitor beta que adora compartilhar seu amor pela leitura nas suas mídias sociais, mas que vai demorar mais do que um ano para terminar de ler seu livro? A produção não pode esperar isso tudo. Então, é bom sempre procurar leitores que além de comprometidos, sejam devoradores de livros. Uma dica para incrementar o foco do beta em seu texto é bolar formas de recompensá-lo, seja com um brinde, uma promoção, ou, caso seja outro autor, promover aquela velha troca de favores. É meu filho, quem trabalha de graça é relógio.

4- Bom conhecimento de português

Mesmo não sendo propriamente função do beta catar erros de português, apontá-los de vez em quando já seria uma grande ajuda no processo de revisão, mais à frente. O cara nem precisa ser o professor Pasquale, basta um entendimento básico da língua para apontar erros mais grosseiros. No entanto, como eu disse, essa não é a função do beta, ele só fará a revisão se quiser.

5- Ser sincero

Essa pode ser uma das mais importantes características e basicamente se resume ao fato de seu leitor beta ser capaz de, ao fim da leitura, olhar em seus olhos e dizer se aquilo que você lhe entregou está uma bosta ou não. Pois acredite: puxa-saquismo e tapinha nas costas é o que você, autor, menos precisa nessa etapa tão importante na construção de sua obra, pois faz com que seu ego tape seus olhos para as imperfeições e fraquezas de sua narrativa. Ah, também é bom lembrar que é importante que seu leitor beta seja apreciador do gênero em que se livro se enquadra, pois só assim ele terá no que se embasar na hora de dizer o que achou, afinal.

Atenção: nada de ficar com raiva caso o seu beta detone seu (amado, idolatrado) livro. Não existe nada mais leite com pêra do que discutir ou brigar por uma opinião que você mesmo pediu, certo? Aprenda a respeitar a opinião do beta, e caso concorde com ela, tenha em mente que se algo no livro não ficou claro, a culpa é exclusivamente sua, e é a deixa para, quem sabe, rescrever a coisa toda.

Leitor beta, leitor crítico e revisor são a mesma coisa?


A resposta é não.

Apesar de uma pessoa ser capaz de fazer ambas as coisas ao mesmo tempo, cada função tem seu enfoque específico e o recomendado seria encontrar uma pessoa para cada função. Para evitar confusões futuras, vou explicar a diferença que muitos parecem ignorar.

Apesar de ter uma opinião crítica, um leitor beta é diferente de um leitor crítico. Enquanto o beta pode ser considerado um leitor “civil”, um leitor crítico geralmente já é um profissional da área, possuindo maior conhecimento de estrutura, narrativa, vocabulário e outros aspectos que devem compor seu livro e será nisso que ele irá se focar para realmente dizer se seu livro está com a trama coesa, narrativa fluída e estruturalmente bem escrito.

Em geral, o trabalho de um leitor crítico é muito mais minucioso e em resumo tem a função de apontar se seu livro está ou não pronto para o mercado.

Apesar de ambos poderem cobrar por seus serviços, é muito mais comum que o leitor crítico seja remunerado pelo autor.

Já o revisor é o profissional que se encontra na última etapa da produção, antes do livro seguir para a gráfica. Não se engane achando que apenas uma pessoa é responsável por esse processo. Um livro, depois de aceito para publicação, pode passar por inúmeras revisões com profissionais diferentes (e mesmo assim escapar uma letrinha faltando ou trocadas no produto final).

Apesar de também poder ter sua opinião crítica, seu trabalho é focar na língua e garantir que o texto tenha um português correto, independente do texto, estruturalmente falando, estar bem escrito, interessante ou não.

Entendeu a diferença?

Agora que você já sabe que bicho é esse, onde se encontra e o que faz, é hora de tomar coragem e procurar um beta para aquele seu livro que está há algum tempo esperando para ver a luz do sol.
Lembre-se: a relação entre o autor e um leitor beta pode ser considerado como um casamento (???), e como em qualquer relacionamento, abusos podem cagar a coisa toda.

Então, vai com calma, no sapatinho literário, e seja feliz.

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Já conhece meu trabalho como escritor de fantasia? É só clicar no banner abaixo para ler "Bella Café - A morte e as damas da noite", meu primeiro romance de fantasia urbana disponível no Wattpad.

Abraço!



Se abriu esse artigo, então você é um autor bem paranoico.

Calma, solta essa pedra que não estou te ofendendo. Afinal, todo autor é, nem que seja um pouco, paranoico com suas obras. E não pense que estou fora desse time. Todos somos como pais zelosos e a preocupação com a guarda e bem estar de nossas crias é instintiva e natural.

O medo do plágio ou que roubem sua obra é algo que, infelizmente acompanha o autor desde o despertar daquela ideia maravilhosa em sua cabeça, até o tão esperado FIM escrito na ultima página daquele manuscrito.

Muitas vezes essa neura se torna tão evidente que você fica travado naquele medo besta que usurpem sua obra, e como minha vó costumava dizer “não vai nem pra frente, nem para trás”.

Esse medo, quando não controlado, acaba se tornando um entrave para muitos autores iniciantes, que acabam se recusando a passar sua obra para fases seguintes e necessárias da produção, como um revisor, um leitor beta, ou até um editor.

Muitas vezes a sensação é que o mundo quer roubar aquela "obra prima" que você tem em mãos. Você não mostra nem para sua mãe, com medo que a velha roube, publique e fique rica em seu lugar (???). Ridículo, não é? Eu sei. Mas, relaxa que você não está só nessa vibe de biruta.

Continue lendo esse artigo para aprender a afastar a paranoia do plagio com formas diversas de proteger sua obra.

Eu fui vítima desse medo enquanto terminava a escrita de “Bella Café – A morte e as damas da noite”, meu primeiro romance de fantasia urbana (Disponível no wattpad, vamos ler?). E foi só depois que eu me fiz a seguinte pergunta: "Então, escrevi essa bagaça para ficar na gaveta?" Que comecei a ver como essa paranoia era descabida.

Ora, você por acaso vai me dizer que não é descabido hesitar em mandar seu original para uma editora com medo de alguém lá roubar sua ideia e ficar “milionário” no seu lugar, mesmo sabendo que uma editora (as sérias, não uns arremedos por ai) trabalha como pontes para vendas de livros, e que para ela é muito mais interessante trabalhar a sua imagem como autor junto aos leitores e assim faturar com seus livros vendidos?

Mesmo assim, eu tenho de admitir que o fantasma do plágio em alguns casos é mais que plausível. Dúvida? Então experimenta entrar em comunidades do wattpad e pesquisar por problemas de plágio?

E como se livrar dessa paranoia toda? A resposta é simples e se chama: Registro de direitos autorais. Para você voltar a dormir em paz, separamos para você como conseguir esse certificado e outras maneiras de manter seu trabalho longe dos Kakashis literários (isso, aquele ninja que copia).

Mas, vamos por partes, ok?


Direito Autoral. O que é?



Entende-se por direito autoral a proteção de trabalhos publicados e não publicados, sejam eles nas áreas de literatura, teatro, pintura, escultura, filmes, trabalhos visuais de arte, incluindo coreografias, e por ai vai...

No Brasil, o direito autoral está regulamentado pela lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
O principal objetivo dela é a proteção da expressão de ideias, reservando para os autores o direito exclusivo sobre a proteção de seus trabalhos.

Contudo, você precisa saber que seu direito sobre alguma obra de sua autoria independe de qualquer registro, porém, um dia pode acontecer de você ter de provar essa autoria, e é para isso que serve o registro de direito autoral, e é isso que te ensinaremos a conseguir agora.

REGISTRO NA BIBLIOTECA NACIONAL.

Em se tratando de direito autoral, sem dúvidas o mais famoso é o certificado da Biblioteca Nacional (mas, não vamos confundir com Registro de ISBN, que já expliquei o que é e como conseguir nesse outro artigo aqui).

Você consegue-o de duas formas: pelo site da Biblioteca Nacional, ou indo a um Escritório de Direitos Autorais, caso haja um em sua cidade. Em ambos os casos, o processo é o mesmo.

Primeiro passo: preencher o formulário de requerimento de registro ou averbação, que você pode pegar diretamente no escritório ou baixar do site e imprimir. Nesse formulário você vai colocar seus dados e detalhes da obra, como título, gênero, numero de páginas e se você é o único autor.

Segundo passo: Pagar uma taxa para que sua obra possa ser registrada. Você encontra lá no site da Biblioteca nacional o gerador de boleto, ou pode requerer pessoalmente no escritório. O valor para pessoa física (nós, mortais) está em 20 reais e para jurídica, 40 reais. Ai, basta pagar no banco do Brasil.

Terceiro passo: Depois das duas primeiras etapas, você precisará juntar os seguintes itens:

  • Formulário de requerimento assinado pelo autor requerente (Você).


  • Cópia de comprovante de residência do requerente, de acordo com o que foi preenchido no formulário.


  • Comprovante original de pagamento da taxa (GRU paga ou comprovante de depósito)

  • Copias de RG e CPF.


  • Uma via de sua obra intelectual impressa. Isso, seu livro impresso não encadernado. Porém, todas as páginas devem estar numeradas e rubricadas, isso quer dizer que você vai gastar mão para assinar TODAS as páginas (Acho que nessa hora ninguém quer ser o George Martin, não é?)
Você agora vai juntar tudo isso e enviar pelos correios, para o endereço que você encontra no site da BN ou entregar pessoalmente em qualquer posto de Escritório de Direitos Autorais em sua cidade, caso haja.

Fora o tempo que o correio levará para entregar, o escritório de direitos autorais estipula um prazo de 90 a 180 dias para lhe enviar o certificado.

Acesse aqui o site da Biblioteca Nacional e veja mais detalhes.

Porem, se como eu, você é meio paranoico (bem paranoico) ficará feliz em saber que não é preciso se prender a apenas uma forma de proteger sua obra. Existem outras maneiras que vamos listar abaixo.

AVCTORIS

Há muito que o registro pela BN deixou de ser a única forma confiável de proteger sua obra. Um exemplo disso é o site Avctoris, que oferece um serviço semelhante. Esse já tem uma puta vantagem em relação a BN, pois você pode fazer tudo on line, sem ter que gastar um centavo com impressão.

Segundo o próprio site:

 O AVCTORIS é um site (ou startup, se preferir) que tem por objetivo oferecer aos usuários uma forma de comprovação de autoria com características jurídicas suficientes para dar-lhes a segurança necessária para transacionar suas obras intelectuais e, caso haja violação de seus direitos autorais, tenham instrumentos juridicamente aceitos suficientes para embasar um acordo ou até um processo judicial.

Você entra no site, preenche um cadastro, sobe sua obra, gera um boleto e paga a taxa, eles lançam um certificado que garante sua autoria da obra. Lá você também encontra tutoriais e noções sobre direitos autorais e patrimoniais mais avançadas.

Acesse o site do Avctoris e veja mais.

NO WATTPAD E OUTRAS FORMAS

Ah, o Wattpad. Esse sim sabe o significado da palavra plágio. Entenda que não estou generalizando. Tem uma porrada de autores fodas e sérios lá batalhando para ter seu lugar ao sol editorial. Mas, em contraponto, o que tem de "mulekada" querendo pagar de JK Rowling de fim de semana... O que os diferencia dos demais escritores de verdade é que eles querem a glória sem o sacrifício, e por isso estão dispostos a ir pelo caminho “fácil” copiando algum livro e creditando como seu.

O que essa molecada não sabe é que o próprio Wattpad oferece formas de se identificar o plágio. Entrando em contato com eles e expondo o caso, eles podem liberar a data oficial do início das postagens e caso seja atestado que uma historia postada depois está plagiando, a mesma pode ir para o saco. Já vi acontecer.

Mas, ainda existem outras formas bem simples de provar sua autoria sem depender dos registros. O e-mail é uma delas. Você pode simplesmente, antes de soltar seu livro na web, envia-lo para si mesmo ou para alguém de confiança.

Então, caso você precise ir a juízo um dia, terá as datas dos envios dos e-mails como prova. Existe a opção de fazer o mesmo pelo correio, mas com a opção do email considero um gasto desnecessário. Além disso, se você já postava em algum blog ou semelhante, também poderá contar com as datas dessas postagens.

Mas, atenção preguiçosos, é bom ter em mente que essas formas não passam de paliativos e que para dormir sossegado o interessante é registrar sua obra no Escritório de Direitos Autorais mesmo.

TIVE UMA IDEIA GENIAL, POSSO REGISTRAR?

A resposta é não. O registro de Direitos Autorais, no contexto editorial, ao mesmo, serve apenas o livro, enquanto obra finalizada.

Mas se você realmente teve uma ideia genial e quer evitar que essa seja roubada, eu tenho um conselho que resolve: CALA ESSA BOCA! Fecha o bico sobre a ideia.

Nada de entrar em grupo de wattpad alardenado e pedindo conselhos a quem provavelmente está tão perdido quanto você. Senta a bunda na cadeira e escreve. Desenvolva aquela ideia. Depois, quando o livro estiver pronto, você registra e pode sair gritando ao mundo a maravilha que ela é.

FINALIZANDO.

No final, o importante é você conseguir provar que a historia é seu, e como já demonstrei o que não faltam são maneiras para isso.

Uma ultima verdade inconveniente: A sua história não é a melhor coisa do mundo.

Nossa, doeu, ein!.

Mas, não me entenda mal. Não estou desmerecendo seu trabalho. O que quero dizer é que nesse momento, existem trocesntos escritores, todos com manuscritos nas mãos, ou ideias na cachola, todos  pensando o mesmo que você. Todos com o pensamento de que tem a nova sensação editorial em mãos.

Então, vamos parar com essa de que "você é o único com uma ideia que vale a pena", ok?

Todo mundo está ai ralando para criar mais e melhor, e pelo que conheço do ego de autor, nós só queremos a gloria vinda do que produzirmos. Então, se você já tomou alguma dessas medidas que listei, vamos parar com essa neura. Senta e  escreve seu próximo livro que você ganha muito mais, blz?

Eai, esse artigo lhe foi útil? Então você pode me pagar por ele. Sim. Pagar. Só que eu não quero seu dinheiro. Você me paga (e me ajuda pra caramba) comentando o que achou aqui em baixo ou compartilhando esse artigo com outras pessoas que precisem. Ok?


Abraço!





“Começar com livros menores não te faz um autor menor. Te faz um autor pé no chão”

Foi partindo desse pensamento e tentando me encher de otimismo que finalmente iniciei a leitura de Poker com o Diabo, livro de estreia de Italo Guimarães, lançado pela Editora Garcia.

Não vou mentir. Desde que recebi o livro que mantive o pé atrás com o mesmo. O motivo, o numero de páginas: pouco mais que 104. Não levei fé, pronto, falei. Mas, que porra. Não é que mordi a língua? Continue lendo que me explico melhor.

Poker com o diabo conta o que acontece em um dia qualquer em que o diabo, isso mesmo, o chifrudo, o vermelhão, o sete-pele, o pata rachada, o senhor do sofrimento eterno, fica entediado. Ele então tem uma ideia no mínimo curiosa: promover uma partida de Poker entre ele e algumas almas selecionadas da sua lista.

Uma ideia bem simples que vai mostrando sua complexidade ao ponto que os jogadores/personagens vão se apresentando ao leitor. O diabo convoca para a jogatina uma parteira, um agiota, uma modelo, um pastor e um policial, além de uma figura misteriosa que tem papel crucial no desfecho. A regra principal para a partida é: se vencer, o jogador ganha sua liberdade do martírio. Se perder, terá seu sofrimento potencialmente aumentado. Aceitar ou não jogar fica a critério dos participantes.

O livro pode se chamar de “não tem ação aqui” visto que se desenrola todo ao redor de uma mesa de poker e nada de interessante pode vir disso, certo? ERRADO!

Com exceção do desfecho, o livro não mostra nenhum desenvolvimento maior para a trama. Contudo, a forma como o diabo lida com cada um dos personagens durante o jogo é que nos prende às páginas. Enquanto joga, com um de cada vez, o Diabo, talvez por pura diversão, faz o individuo se confrontar com aspectos de sua vida pregressa e como ele de fato foi parar ali, no inferno.

A jogada é que o autor usa simbologias do poker para fazer essas metáforas e uma porrada de críticas sociais. É, muitas vezes, angustiante ver como cada personagem olha para dentro de si antes de encarar que  de fato não há mais salvação. E como resultado, você acaba fazendo uma auto avaliação, e fica dividido entre odiar o condenado pelos pecados que cometeu e tentar se colocar no lugar e pensar "Poderia ser eu ali.


A trama não precisa de injeções de ação para fluir. Ela precisa apenas dos diálogos e as reações dramáticas geradas por eles. Falando em diálogo, preciso dizer que algumas vezes (bastante) o autor acaba caindo em clichês e jargões um tanto cansativos, mas nada que estrague o estilo que o autor está desenvolvendo aos poucos.

E o Diabo... o que dizer da figura do demônio nessa obra?

Meio batida, de início, mas que vai cativando aos poucos. O diabo no livro não é o senhor prepotente dos tormentos a que fomos apresentados nos sermões nas igrejas, ao menos, não é como ele se apresenta. Ele é um típico jogador de poker, daqueles bem velhacos que sabem como blefar e como ludibriar seus oponentes. Tudo gira em torno dele, mas é dos coadjuvantes que vem a ação dramática que faz a coisa toda andar.

A Ambientação é outro ponto bem interessante. Tudo é trabalhado pelo autor para passar a atmosfera esfumaçada de um salão de jogos. O autor quis atrelar sua trama a um ambiente menor, visto que para essa trama em especial, descrever detalhadamente os círculos e níveis do inferno não agregariam nada além de enchimento de linguiça. Essa coisa de misturar poker com diabo, inferno, blues, não vou mentir, me senti lendo algo nas páginas da revista Vertigo. E eu adoro Vertigo.

Por fim, tem o desfecho que mostra uma sacada bem colocada do autor, mas que claro, você vai ter que ler o livro para saber do que estou falando.

Italo Guimarães estreia mostrando que tem mão para fazer algo que muitos escritores penam para conseguir: falar muito com pouco. Seu livro pode ser curto, mas é de uma complexidade e carga emocional grande. Poker com o diabo é um suspense talhado no sobrenatural que pode até ser lido rápido, mas demorará um pouco para deixar sua mente. Fica a recomendação.

Se interessou? Você pode então adquirir seu exemplar direto com o autor, ou pela amazon.
Já leu o livro? Então comente. Diga se estou certo ou falando besteira. Não esqueça de curtir a comunidade de Poker com o Diabo no facebook

Dados da obra:

Título: Poker com o Diabo
Autor: Italo Guimarães
Número de páginas: 87 páginas
Editora: Garcia; Edição: 1 (23 de setembro de 2016)
Idioma: Português


Eu preciso avisar que detesto a expressão “Caiu como uma luva”. Acho capenga e démodé. Porém, nessa que foi para mim uma semana de intensa discussão sobre qual a verdadeira faceta da ditadura e seus reais efeitos em nosso país e sobre um renascimento de um "direitismo" que muitos já davam por extinto, acabei me deparando com a HQ Ditatura No Ar- Coração Selvagem e não tive outra opção se não dizer: caiu como uma luva.

Com roteiro de Raphael Fernandes e arte de Rafael Vasconcellos, o Abel, essa HQ narra a busca do repórter Felix Panta para descobrir o paradeiro de sua desaparecida namorada Lenina, uma jovem comunista que foi levada pelo DOI-CODI, um dos mais temidos órgãos de repressão da época.

Inicia-se uma arriscada investigação que coloca Felix no meio de intrigas e do perigo de morte que o simples fato de pensar diferente poderia acarretar, em um sombrio Brasil do ano de 1969; ano do famigerado AI-5 e da ditadura militar em seu auge.

Essa Graphic Novel começou como independente, em formato de minissérie. Recentemente, em 2015, ganhou um volume encadernado pela Editora Draco, mesmo ano em que Raphael Fernandes levou o Troféu HQMix como roteirista revelação.

Sobre o roteiro:

Logo nas primeiras páginas eu pude notar a preocupação do autor com a pesquisa dos fatos. Toda ambientação, linguajar e elementos foram bem colocados para emular os anos negros da ditadura em nosso país. Discussões ideológicas, musicas de protestos e até um jornal parodiando do famoso Pasquim. Tudo que rodeia Felix, o protagonista, nos faz refletir no tanto que as coisas evoluíram, e como hoje é quase inconcebível imaginar um mundo onde o simples fato de pensar diferente poderia significar tortura, ou uma morte terrível.

Apesar de ser um relato aprofundado do que foi essa nação durante os anos da ditadura, o que realmente me prendeu às páginas foi o dilema e como o protagonista reagia a ele. O fato dele buscar sua namorada desaparecida durante toda HQ mexeu especialmente comigo. Ele vai juntando as informações enquanto se joga de cabeça em situações de ação e violência, porém, quanto mais perto ele chega de desvendar o mistério que envolve o desaparecimento dela, mais a angustia vai aumentando, pois em se tratando de desaparecimento na ditadura, não é difícil imaginar um final terrível. E é o que se revela. Isso mexeu particularmente comigo, pois sou muito apaixonado pela minha esposa e não conseguiria me imaginar passando pelo que Felix passou.

Os diálogos também são um ponto a se mencionar. Todos ligeiros e bem trabalhados, junto com o arquétipo grosseiro, porém humano do protagonista, ditam o ritmo cadenciado que a narrativa toma, e a enquadra muito bem a obra no subgênero policial Noir, o que eu achei genial, pois nada melhor que uma atmosfera sombria e lúgubre para retratar o período de trevas que foram os tais “Anos de chumbo”.

O autor leva sua trama em um ritmo bem econômico e preciso, não deixando pontos de fuga ou pontas soltas durante inicio, meio e fim. E ao término, um desfecho que eu já esperava, mas que não deixou de me abalar por isso.


Sobre a Arte:

A arte me lembrou muito algumas coisas que já vi dos gêmeos Gabriel Bá e Fábio Moom, porém muito vagamente. É o tipo de arte marcante e de traços angulares que facilmente se encontraria em casas criativas como a Vertigo ou a Nova Image Comics. O traço, junto com cores que me “soaram” envelhecidas, servem perfeitamente na imersão do passado onde tudo se passa e na criação da atmosfera densa que permeia a trama.


Ao fim, Ditadura no Ar, do Raphael Fernandes e do Abel se mostrou uma grata surpresa, ao mesmo tempo que uma preocupante reflexão, que me fez tanto olhar o que passou, quanto vislumbrar o que pode estar por vir.

Angustiante e envolvente. Nunca olhar para o passado sombrio desse país me deixou tão vidrado.
Leitura recomendada para aquele fim de tarde chuvoso, onde tudo é cinza e tristonho. 


Sobre a Obra

Ditadura no Ar – Coração Selvagem
Autor: Raphael Fernandes
Ilustrador: Rafael Vasconcellos
ISBN: 978-85-8243-180-1
Gênero: História em quadrinhos, Policial/mistério
Formato: 17cm x 24cm
Páginas: 104 coloridas
Preço de capa: R$ 44,90
Disponível: No site da Draco, Saraiva e Amazon.

Ei! Vamos acordar pessoal. 2017 já começou e está mais que na hora de termos nossa primeira resenha do ano.

A “vítima” foi o livro O Beijo da Morte, primeiro da série Sob a Luz das Galáxias da autora Judie Castilho, que está saindo pela Editora Chiado.

Antes de mais nada, acho bom ressaltar que sei bem que não sou o publico alvo dessa publicação. Por tanto, tentarei pautar possíveis críticas sobre esse “pretexto” ok? Vamos lá.

O livro é um romance com pitada de Sci-Fi que se passa em um cenário intergaláctico entre planetas e viagens espaciais. Logo de cara percebemos que o conflito que move boa parte da trama é um velho conhecido: o amor impossível.

Mas, vamos por partes.

O livro narra a vida de Haysla, junto à sua amiga Violyt, iniciando uma nova fase em suas vidas. Depois de passarem muitos anos na Terra, enfim chegou o dia pelo qual elas tanto esperaram. Elas estão completando 17 anos e ingressando na Academia Frantila, a escola mais prestigiada e disputada do universo.

Tudo parece ir bem. Oorém, ao se deparar com Benjamim, um professor mais velho, e de outra raça, Haysla descobre um amor intenso, porém impossível de ser vivido, já que a raça a qual Benjamim pertence possui um venero que a de Haysla não tolera. Então, fica claro que um único beijo seria o suficiente para mata-la.

No livro somos apresentados a trama tendo foco nas duas amigas, mais precisamente em Haysla. E quando ela “esbarra” no tal professor bonitão, eu pensei “vixe, lá vem romance água com açúcar". Contudo, a autora coloca mais que isso em sua trama. Como pano de fundo ao que parecia não passar de um simples caso de amor impossível, somos também apresentados a intrigas intergalácticas onde os dezesseis planetas aliados que formam a União Universal (a Uni Uni) enfrentam a eminência de uma guerra com os planetas não aliados.

De cara o que mais me chamou a atenção foi o esforço da autora para estruturar seu universo. A Academia Frantila, palco de grande parte do desenrolar da história possui sistemas e métricas bem interessantes para separar os alunos de diversas raças e planetas diferentes. Tais raças também foram bem trabalhadas, dando variedade às suas habilidades físicas e mentais, forçando nossa imaginação a desenhar cada vez que um novo ser extraordinário era apresentado.

Contudo, ainda senti falta de certa diferenciação das espécies nas questões físicas. Nada mais que um tom diferente de pele, cabelos ou olhos era responsável por distinguir tais raças. Quero dizer, sem essa diferenciação de formas e espécies, a trama poderia muito bem se passar na terra que não faria a menor diferença.

A autora tem boas sacadas, como por exemplo explicar a diversidade terrestre atribuindo nossas diferentes cores de pele à diferentes povos alienígenas que colonizaram diferentes partes do globo, trazendo consigo conceitos de religião e comportamento que usamos até hoje.

Porém a parte da ambientação peca um pouco. Não senti segurança nas descrições, principalmente no contexto intergaláctico que a historia se insere. Quando se via uma nave, era apenas uma nave, e nada mais. Talvez a autora quisesse apenas focar no romance e em como os fatos principais da trama se desenrolavam por trás. Mas, continuo achando que descrever uma trama no espaço sem fazer nossa mente viajar por descrições fantásticas de tecnologias desconhecidas é meio frustrante. Mas, isso é detalhe que só um chato (leitor de ficção cientifica das antigas) como eu percebe, já que outros aspectos que permeiam a obra dão uma boa cobertura.

A narrativa segue um tempo bem adequado, principalmente tratando do amor que Haysla vai desenvolvendo por Benjamim ao longo das páginas e como isso se torna de vital importância para o desfecho do livro. Claro que existem alguns detalhes que me incomodaram, como o fato da melhor amiga, Violyt, ser uma personagem mal aproveitada e o fato do pai de Haysla ser o presidente do universo e ser tratado por todos como um “amigo de bar” me pareceu algo meio “fora do esquadro”.

Os diálogos são aquela parte em que uso “não sou o publico desse livro” como pretexto. São todos muito bem escritos, mas tratam quase sempre de relacionamento e carregam muitas vezes a impulsividade adolescente que tão bem serve ao gênero. O publico feminino adorou, e o mérito é merecido. Mas como eu disse, não sou o publico alvo da obra. Não por ser homem, e sim por ser um tipo diferente de leitor.

Mas, no geral, fiquei feliz em ver como a autora consegue mesclar a sutileza de relacionamentos jovens com a grandeza de uma trama cheia de conspiração entre planetas. O livro cumpre bem o seu papel que é de entreter e abrir caminho para as continuações.

Judie Castilho estreia mostrando que tem fôlego para levar o leitor por mais de quatrocentas páginas sem ser maçante, e imaginação para dar forma a um universo tão fantástico e diverso. Se você gosta de um bom romance, e de quebra uma ficção cientifica leve, esse livro é para você. Recomendado.

Eai, interessou?  Então você pode adquirir os exemplares pela Amazon, ou no site da Editora Chiado.

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Dados da obra
Autor: Judie Castilho
Data de publicação: Outubro de 2016
Número de páginas: 478
ISBN: 978-989-51-9659-3
Colecção: Viagens na Ficção
Género: Romance
Idioma: Pt